O Verde Profundo: A Historia de Um Caboclo

O Verde Profundo: A Historia de Um Caboclo

by Mr Miguel Rocha
     
 
Esta é a história da minha família. Começa em 1874, com a chegada do meu avô ao Brasil. Procedente de Portugal, aos 25 anos, estabeleceu-se no Recife e, do casamento com Rosa Pimentel Pego, nasceram três filhos e uma filha. Mudaram para Icó, sertão do Ceará, tornando-se fazendeiros. No final do século

Overview

Esta é a história da minha família. Começa em 1874, com a chegada do meu avô ao Brasil. Procedente de Portugal, aos 25 anos, estabeleceu-se no Recife e, do casamento com Rosa Pimentel Pego, nasceram três filhos e uma filha. Mudaram para Icó, sertão do Ceará, tornando-se fazendeiros. No final do século XIX, foram duramente castigados por uma longa seca. Morreram as plantas, os animais, o rio e o poço. Meu avô resistiu. Então, morreu minha avó. Vencido, meu avô escolheu os seringais do Amazonas como a Terra da Promissão. Confiou Júlia, sua única filha, aos cuidados das freiras do Mosteiro de Olinda. Com os três filhos, ainda pequenos, José Maria, o mais velho, João Maria e o caçula, Malaquias, 4 anos, seguiu Júlia.

A travessia do sertão até Fortaleza, a pé e em lombo de burro, durou 34 dias de incertezas e sofrimento. A sede e a fome foram companheiras sempre presentes. Viajando de navio até Belém, aí permaneceu à espera de outro que os conduzisse a Santarém. Havia poucos barcos e muitos aventureiros que se destinavam ao Amazonas, todos com o sonho do enriquecimento fácil.

O Canal de Panamá estava sendo concluído, dispensando empregados, na sua maioria caribenhos, que vinham se somar aos que fugiam do sertão, reunindo-se nas praças de Belém, a espera de navio para Manaus ou de vaga em um hotel. Havia, também, os procedentes de outros países, comerciantes, aventureiros, e os funcionários públicos em trânsito. Belém não dispunha de hotéis suficientes, o que dificultava a vida dos emigrantes, todos preocupados com a recente epidemia de cólera que, embora já dominada, deixava o medo estampado em muitos rostos.

Depois de meses, finalmente meu avô, seu Miguel, se estabeleceu em Coari, no rio Solimões. Ali, ao revidar uma agressão, cometeu um crime e fugiu para Manaus, remando durante nove dias. Enfrentou mosquitos, o sol tropical inclemente, tempestades e o medo de ser preso. Chegou a Manaus e, sob a proteção de conterrâneos, seguiu para Portugal, de onde jamais voltaria. Júlia fora esquecida em Olinda. Os meninos, abandonados, tiveram que sobreviver na floresta. Paradoxalmente, o mesmo rio que os livrou da morte pela sede, muitos anos depois, cobrou seu tributo: José Maria morreu afogado, durante uma tempestade, no lago de Coari.

Em 2008, olhando o mapa da região de Coari, identifiquei uma propriedade com o nome de Fazenda Santa Rosa e imaginei que poderia ter pertencido ao meu avô e esse nome, uma homenagem a sua mulher, sepultada no sertão do Ceará.

Este livro, embora permeado de alguma fantasia, é baseado em fatos verdadeiros, ocorridos em seringais e beiradões da Amazônia e, como um barco, transporta seus passageiros - meus leitores - pelo Rio Amazonas, apresentando a eles o verde denso e diverso da floresta, as várias cores de suas águas, seus barcos "regionais", com redes trançadas, o cheiro e o som de seus motores a vapor... e muito mais.

Este livro conta a história de minha família e seu nome - O Verde Profundo - chama atenção para o esquecido Povo da Floresta, os 'caboclos', e denuncia sua vida desprotegida, ao abandono. O resultado de sua venda será destinado ao plantio de árvores em áreas de reflorestamento, através da Fundação Almerinda Malaquias, estabelecida em Novo Airão, Rio Negro, Amazonas.

Product Details

ISBN-13:
9781494469351
Publisher:
CreateSpace Publishing
Publication date:
12/28/2013
Pages:
248
Product dimensions:
8.50(w) x 11.00(h) x 0.64(d)

Meet the Author

Meu nome é Miguel Rocha da Silva, filho mais novo de uma grande família. Não cheguei a conhecer todos os meus irmãos, pois muitos morreram antes de eu nascer. Nasci no planeta terra. Nasci no meio da selva amazônica. Nasci no seio de uma família pobre. Eu não escolhi. Não tive chance de escolha. Mas se tivesse, essa seria a de minha preferência. O meu destino acertou. O meu planeta é o mais bonito do sistema solar. O lago do Manaquiri, onde nasci, é o mais bonito do Amazonas. A família que me concebeu, não poderia ser mais nobre na sua conduta e no seu caráter, do que muito me orgulho. As ondas do rio embalaram a canoa que me serviu de berço, enquanto minha mãe lavava roupa nas suas margens. O canto dos macacos guariba, mesclado com mil sons do canto dos pássaros, me induziram ao sono, debaixo dos galhos da árvore que me amparava com sua sombra. Eu e os meus irmãos, todos, vivemos a maior parte das nossas vidas no ventre da Floresta Amazônica. É por isso que meu sangue tem o cheiro da clorofila.

Nasci em 1940, sendo o último filho da grande família Malaquias. Trabalhei na indústria e no comércio e, a partir de 1981, comecei a liderar expedições aos mais remotos lugares da nossa região.

Almerinda era o nome da minha mãe, a cabocla que Malaquias, meu pai, escolheu como esposa. Ela jamais aprendeu a ler ou escrever. Gerou 18 filhos, aí incluídos dois abortos, sendo eu o último e o único dos filhos homens a ter acesso à escola. Casaram-se em Coari, em 1911. Meus pais viveram juntos toda a vida e construíram uma família com uma sólida base moral. Minha mãe faleceu em 1960. Meu pai, em 1967. O nome da fundação é uma homenagem póstuma a eles.

Quando ainda menino, vim estudar em Manaus e tive em minha prima, Alba Rocha, uma protetora, meu Anjo da Guarda. Ela cuidou de mim como se fosse seu próprio filho, o filho que jamais concebeu, pois se dedicou à carreira religiosa, tornando-se freira. Seus pais, Maria e João Rocha, meus tios, me deram abrigo e a atenção de que precisava, como criança.

Desde 1981, portanto mais da metade de minha vida de adulto, venho fazendo expedições pelos rios da Amazônia, repartindo as belezas da nossa região com aqueles que nos visitam. Durante esse período, muita coisa bonita aconteceu. Aprendi muito com os ribeirinhos. Vivi muitas experiências lindas. Fiz muitos amigos. Tenho muitas histórias para contar.

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