O Banqueiro Anarquista

O Banqueiro Anarquista

by Fernando Pessoa

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Overview

Publicado em maio de 1922, no primeiro número da revista Contemporânea, dirigida por José Pacheco, ilustrada por Almada Negreiros e mantida financeiramente por Agostinho Fernandes, o texto de Fernando Pessoa satirizava já de saída a proposta da revista que era de arejar o provincianismo da Lisboa do início do século XX, através de uma proposta elitista e "civilizatória". No editorial do primeiro número ela se apresentava como "feita expressamente para gente civilizada e para civilizar gente".O texto de Pessoa, bastante satírico e ambíguo, vai ao cerne dessa proposta. O conto ambienta-se em um local dito civilizado aos moldes dos clubes ingleses tão em voga na época e tradicionalmente distantes dos debates intelectuais ou políticos. Após um jantar farto um determinado banqueiro envolve o seu interlocutor num diálogo em que demonstra os princípios de seu "verdadeiro" anarquismo. Num modelo platônico de diálogo e de contraposição entre teses e antíteses, argumentos e contra-argumentos, ele constrói um discurso que se pretende elitista, mas demonstra-se iconoclasta, irônico, antissocial e, em última análise, neoliberal.Pessoa, de certa forma, antecipa os movimentos anarco-capitalistas que fundamentam boa parte das ideologias libertárias quase cem anos depois de seu texto ser primeiramente publicado. Mais conhecido por sua poesia produzida através de seus heterônimos, esta obra foge dessa imagem mais conhecida do público em geral, mas passível de ser traçada a partir dos poemas mais místicos ou filosóficos do autor. Esta é, provavelmente, provavelmente a obra que melhor expressa os ideais políticos de Fernando Pessoa, através de dois personagens sem nomes, através de um olhar cínico sobre as relações sociais e da exposição da moral distorcida do banqueiro que se diz inventor do anarquismo. De certa forma, é um tratado didático sobre filosofia política disfarçado de conto, onde trança com habilidade os fios de silogismos, tautologias e sofismas.

Product Details

ISBN-13: 9798601486149
Publisher: Independently published
Publication date: 01/19/2020
Series: Obras Completas de Fernando Pessoa , #1
Pages: 64
Product dimensions: 5.00(w) x 8.00(h) x 0.13(d)

About the Author

Considera-se que a grande criação estética de Pessoa foi a invenção heteronímia que atravessa toda a sua obra. Os heterônimos, diferentemente dos pseudônimos, são personalidades poéticas completas: identidades que, em princípio falsas, se tornam verdadeiras através da sua manifestação artística própria e diversa do autor original. Entre os heterônimos, o próprio Fernando Pessoa passou a ser chamado ortônimo, porquanto era a personalidade original. Entretanto, com o amadurecimento de cada uma das outras personalidades, o próprio ortônimo tornou-se apenas mais um heterônimo entre os outros. Os três heterônimos mais conhecidos (e também aqueles com maior obra poética) foram Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Um quarto heterônimo de grande importância na obra de Pessoa é Bernardo Soares, autor do Livro do Desassossego, importante obra literária do século XX. Bernardo é considerado um semi-heterônimo por ter muitas semelhanças com Fernando Pessoa e não possuir uma personalidade muito característica, ao contrário dos três primeiros, que possuem até mesmo data de nascimento e morte (exceção para Ricardo Reis, que não possui data de falecimento). Por essa razão, José Saramago, laureado com o Prêmio Nobel, escreveu o livro O ano da morte de Ricardo Reis.

Através dos heterônimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade. Este último fator possui grande notabilidade na famosa misteriosidade do poeta.

Diversos estudiosos de Pessoa procuraram enumerar seus pseudônimos, heterônimos, semi-heterônimos, personagens fictícias e poetas mediúnicos. Em 1966 a portuguesa Teresa Rita Lopes fez um primeiro levantamento, com 18 nomes. Antonio Pina Coelho, também português, elevou em seguida a relação para 21. A mesma Teresa Rita Lopes apresentou um levantamento mais detalhado em 1990, chegando a 72 nomes. Em 2009 o holandês Michaël Stoker chegou a 83 heterônimos. Mais recentemente, o brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho, utilizando critério mais amplo, apresentou uma lista com 127 nomes.

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